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quinta-feira, 16 de junho de 2011

UM RECORTE NA DIVERSIDADE PLÁSTICA DE WALTER TOMMASI


Walter Tommasi, um artista experimental, construiu ao longo de 30 anos uma obra diversificada: na técnica, na temática, no estilo, na escolha dos materiais, ferramentas e suportes.
Uma obra resultante de constante experimentação, da energia não reprimida, da manipulação dos materiais, da intencional triplicidade de sua linguagem e da dinâmica de seu cotidiano.
Tommasi encontra na diversidade a possível convivência entre as temáticas, estilos e técnicas. Nessa convivência descobre, além das múltiplas sensações visuais, inúmeras possibilidades de reciclagem de materiais e de idéias devido a sua capacidade de dialogar com o observador.
Realiza suas obras com estratégias simples, com soluções renováveis, com visões objetivas fundamentadas nas relações positivas que estabeleceu com a pesquisa em diversos territórios: pintura, aquarela, recortes, metal, escultura, encáustica, acrílica, xilogravura, xilopintura, colagem e mais recentemente, marchetaria.
Nesta trajetória de 30 anos, Walter Tommasi vivenciou mutações em suas ações, em suas soluções e em seus pensamentos. Redescobre a si mesmo a cada nova experiência, ao constatar um link existente na personalidade de todo o trabalho por ele realizado; encontra uma sintonia com o pensamento surrealista, faz uma introdução captada no mundo que o envolve.
Na sua mais recente experiência, a marchetaria, Tommasi reafirma seu maior compromisso com o prazer de fazer com o sonho, com a manifestação da memória, com a busca inacabada do suporte, com a multiplicidade temática, com a liberdade de expressão através dos meios que encontra em seu percurso.
Para esta mostra de comemoração dos 30 anos de trabalho, Walter Tommasi fez um recorte cuidadoso no conjunto da sua obra para brindar seus convidados.
Parabéns ao Walter Tommasi pelos 30 anos de dedicação.
Parabéns pelo experimentalismo, pela convicção, pela energia, pela pesquisa, pela diversidade, pela ousadia e, principalmente, pela liberdade de expressão.

Fernando Durão
Artista Visual
Presidente da APAP-SP – Associação Profissional de Artistas de São Paulo

30 anos


Sempre fui um apaixonado por arte, e desde pequeno me fascinava as obras dos grandes mestres, a arquitetura dos casarões, palácios e prédios das cidades, os detalhes dos sons dos instrumentos e das vozes, a interpretação dos atores, enfim, todas as manifestações artísticas, mas sempre tendo a diferenciação e a criatividade como gatilho. São estes dois tópicos os balizadores de meus trabalhos ao longo dos últimos 30 anos. Meu processo sempre seguiu mais ou menos esta linha: ficar curioso com alguma técnica, aprender as regras básicas e daí por diante dar meu próprio ritmo e toque a elas. Foi assim que por muitos anos produzi obras com a técnica da Xilopintura, variante da Xilogravura, em que, ao deixar de me utilizar das matrizes para a impressão de cópias, eu as tonava obras únicas. Com ela me aventurei no surrealismo, expressionismo e até mesmo em trabalhos iconográficos. Ela é a primeira perna do tripé  artístico desta exposição e traz obras produzidas até meados dos anos 1990.
Como acredito que a vida é formada por diferentes ciclos, no final da ultima década do século 20 decidi buscar uma nova técnica e linguagem, e a escolha recaiu em um blend de colagem com mosaico que gerou a série “Meus Prazeres”, carregada também de uma ambivalência conceitual: de um lado a crítica aos símbolos de status representados por rótulos de vinhos caros que, após terem sido descartados, voltam a exercer seu papel inicial, só que agora ocupando a superfície junto as bordas de minhas obras. No centro os temas se encarregam de fazer uma apologia aos prazeres da integração e de harmonização dos dois conceitos. É daí que vem nossa segunda perna do tripé.
No inicio de 2009, já com o aspecto conceitual da nova série na cabeça, ainda não havia encontrado a técnica para meu novo desafio, e ela veio quase que por acaso em um bate-papo com meu genro Marcelo, que dava os primeiros passos na marchetaria com objetivo de decorar seus trabalhos de marcenaria – foi certamente uma paixão a primeira vista, e desse encontro surgiu a terceira perna do tripé dessa exposição. Assim, vocês terão a oportunidade de acompanhar a fase inicial de desenvolvimento de uma técnica e uma linguagem que, com o passar do tempo, deverão se consolidar, até se tornarem a marca registrada do meu novo ciclo artístico, em sequência a Xilopintura e a Colagem com Mosaico.
Da série Marchetaria teremos 6 obras, e cada uma delas para mim ainda representa uma porta a ser desvendada e desenvolvida.
Qual será a porta escolhida? Honestamente ainda não sei, mas algumas coisas estão muito claras: a marchetaria estará presente dentro da técnica que está em processo de definição e que buscará, no aspecto conceitual, de alguma maneira, uma maior integração com a música e o cinema.

Walter Tommasi

“O maior inimigo da criatividade é o bom senso” – Pablo Picasso

ATRAVÉS DE COLAGENS WALTER TOMMASI DIALOGA COM SEUS MOSAICOS POLI CROMÁTICOS


Kafka afirmava que “o diálogo e, extremamente, por isso, precisa ser engajado”. Este pensamento é, para “Walter Tommasi”, um convite para abrir o diálogo sabendo que o que escapa da palavra, a arte acolhe no jogo infinito da universalidade.
A amplitude dos temas, a riqueza intelectual do qual são investidas suas obras e a força das soluções artísticas que elas propõem, tudo faz com que a produção desse artista seja atualmente impregnada de uma intensa produção textual, ocupada em decifrar um trabalho cuja dimensão simbólica é tanto manifesta quanto enigmática no seu próprio conteúdo.
Para Walter Tommasi, as palavras são impregnadas de imagens e as imagens são os textos contidos em suas colagens.
Cada quadro cosntitui uma emanação de unidade do todo. Iconografia complexa, reveladora de um sentimento perdido, de um mundo em fuga, universo alusivo onde a história, a memória e a poesia comunicam e se transcendem. Espaço de meditação, suas colagens formam um mosaico que oferece também ao artista ocasião de dar livre curso à sua imaginação e a toda sua ironia.
Pintor de rara sensibilidade, o artista conseguiu obter com o emprego de uma escala cromática de tons difundidos, novas energias expressivas, rarefeitas atmosferas e aquela particular tensão que o tema requer. Além do forte cromatismo que se projeta no observador, os quadros de Tommasi  são atravessados de luz, em um espaço ilimitado e imutável onde o olhar pode livremente viajar e cujas inscrições precisam ser interpretadas.
O artista não se contenta em degustar um bom livro, tema de suas recentes obras. Por meio de rótulos de títulos famosos, que formam um verdadeiro labirinto em seus mosaicos, ele nos convida a participar também de seus prazeres.
Na obra “Meus Prazeres 58”, doada ao cervo Artístico da Asembléia Legislativa, Tommasi mescla o cotidiano e a lenda, realismo e liberdade inventiva com um novo vigor intelectual e consegue obter dos temas que mais lhe agradam, uma poesia leve e sutil.

Emanuel von Lauenstein Massarani – Crítico de Arte